Breath of the Wild Ă©, tecnicamente, um jogo impecĂĄvel. O mundo aberto, a gameplay, a mĂșsica, o design e os personagens sĂŁo excelentes individualmente, mas o que realmente impressiona Ă© como tudo isso se integra em uma experiĂȘncia sĂł.
O jogo confia completamente na curiosidade do jogador. VocĂȘ vĂȘ alguma coisa estranha no horizonte, vai atĂ© lĂĄ e encontra algo. NĂŁo porque tinha um Ăcone no mapa mandando vocĂȘ ir, mas simplesmente porque vocĂȘ quis. VocĂȘ pode escalar praticamente qualquer coisa, ir praticamente pra qualquer lugar e os vĂĄrios sistemas do jogo interagem de formas que fazem ideias idiotas simplesmente funcionarem.
E acho que Ă© aĂ que Breath of the Wild Ă© revolucionĂĄrio. Ocarina of Time praticamente escreveu as regras de como jogos 3D deveriam funcionar, e sinto que BOTW fez algo parecido com jogos de mundo aberto. NĂŁo inventou o gĂȘnero, mas mudou completamente a maneira de pensar sobre ele.
A mĂșsica tambĂ©m Ă© incrĂvel justamente por saber quando NĂO aparecer. A exploração Ă© muitas vezes silenciosa, com algumas notas de piano aqui e ali, o que combina perfeitamente com essa Hyrule destruĂda. Os personagens tambĂ©m sĂŁo Ăłtimos, principalmente Zelda e os Champions, e descobrir aos poucos o que aconteceu 100 anos atrĂĄs dĂĄ uma melancolia muito particular ao jogo.
Meu Ășnico problema Ă©, ironicamente, consequĂȘncia de uma das suas maiores qualidades. BOTW nĂŁo te fala NADA alĂ©m do bĂĄsico. E eu gosto disso. O problema Ă© que Ă s vezes ele esconde nĂŁo sĂł a solução ou localização de alguma coisa, mas a prĂłpria existĂȘncia dela. Ă muito fĂĄcil terminar o jogo sem sequer saber que certas mecĂąnicas, quests e interaçÔes existem. NĂŁo quero um marcador dizendo “TEM CONTEĂDO AQUI”, mas alguns pequenos indĂcios seriam bem-vindos.
Ainda assim, é uma reclamação pequena.
Breath of the Wild Ă© um daqueles jogos que mudam sua percepção do gĂȘnero depois que vocĂȘ termina. Assim como Ocarina of Time fez com jogos 3D, BOTW fez com mundos abertos.
Que jogo.
