The Last of Us Part II é facilmente um dos jogos mais impressionantes que eu já joguei do ponto de vista técnico. Os gráficos ainda estão entre os mais bonitos do PS4, a trilha sonora é excelente, as atuações são absurdas e o nível de detalhe chega a ser obsessivo. Dá para perceber que a Naughty Dog colocou um esforço gigantesco nesse projeto.
O problema é que, para mim, toda essa qualidade está apoiando uma história que nunca conseguiu me convencer.
O jogo é extremamente ambicioso, e eu respeito isso. Só que, justamente por tentar fazer tanta coisa, ele acaba tropeçando na própria narrativa. Durante toda a campanha eu tive a sensação de que o jogo queria controlar exatamente como eu deveria me sentir em cada momento, em vez de deixar essas emoções surgirem naturalmente.
Não estou reclamando por ele ser linear. Existem vários jogos lineares que eu adoro. A diferença é que os melhores conseguem te conduzir de forma quase invisível. Você segue o caminho porque faz sentido seguir aquele caminho. Em The Last of Us Part II, muitas vezes eu senti que todas as outras opções simplesmente deixavam de existir até eu abrir a única porta disponível. Em vez de me surpreender com os acontecimentos, eu tinha a sensação de que estava sendo levado pela mão até eles.
A gameplay é excelente. O combate é pesado, cada arma tem impacto, os tiros são extremamente brutais e a violência passa uma sensação de realismo muito forte.
Meu maior problema continua sendo a história. A Ellie passa o jogo inteiro completamente consumida pela ideia de vingança. Ela coloca amizades em risco, arrasta outras pessoas para essa obsessão, toma uma decisão pior que a outra e praticamente tudo o que acontece é consequência direta das escolhas dela. Depois de dezenas de horas construindo esse objetivo, o jogo chega no confronto final e simplesmente decide que ela vai embora.
Essa conclusão nunca funcionou para mim. Eu não senti que a Ellie mudou de forma convincente. Eu senti que o roteiro precisava transmitir uma mensagem e escolheu aquele momento para fazer isso. No fim das contas, fiquei com a impressão de que toda a jornada perdeu parte do sentido.
A própria premissa também me incomoda. A ideia da Abby ser filha do médico que o Joel matou faz sentido quando você escuta pela primeira vez. O problema é que tudo parece montado para justificar essa sequência. Nunca tive a sensação de que essa história nasceu naturalmente a partir do final do primeiro jogo. Parecia uma ideia que veio primeiro e depois recebeu uma explicação.
Outro detalhe que me incomodou foi a estrutura da narrativa. Flashback dentro de flashback, cenas interrompendo outras cenas, a história voltando constantemente no tempo. Eu nunca fiquei confuso, mas o ritmo sofre bastante com isso. Sempre que eu começava a ficar envolvido em algum momento importante, o jogo resolvia mudar completamente de contexto.
Normalmente eu consigo relevar uma história fraca quando a gameplay compensa. Nesse caso, não consigo. A história sempre foi o principal atrativo de The Last of Us. Foi assim que o primeiro jogo ficou marcado, e foi exatamente essa expectativa que a sequência criou.
É uma pena, porque o resto do pacote é incrível. Tecnicamente, o jogo é um espetáculo. Visualmente continua impressionante, o combate é excelente, a direção de arte é fantástica e a Naughty Dog mostra mais uma vez que sabe fazer jogos de altíssimo nível.
Só que, para mim, tudo isso está sustentando uma premissa que nunca pareceu natural.
No fim, The Last of Us Part II continua sendo exatamente isso.
Execução fenomenal. Premissa patética.
